Se é verdade que a voz do povo é a voz de Deus, então poderíamos dar por encerrado a questão da Concessão do DAE de Araputanga.
O povo em uma só voz vaiou a mesa de autoridades, composta por dois advogados, um palestrante, o Secretário de Planejamento Sânzio e o Prefeito municipal, Vano Batista, na noite de sexta-feira, dia 09 de março, no auditório do CRAS.
As audiências pública que sempre foram objeto de desprezo pela população dessa vez foi a tônica do interesse de todos. Acadêmicos, vereadores, donas de casa, ex-vereadores, ex-secretários e, do povo em geral fizeram fila para ocupar uma das cadeiras do local para ouvir o que a Administração Municipal tinha a esclarecer quanto à proposta de concessão do tão mal falado e falido Departamento de Água e Esgoto.
Para explicar bem, o Executivo se preparou com bons argumentos: compôs uma mesa com dois advogados, um palestrante engenheiro, com larga experiência na extinta Sanemat e professor da Universidade Federal, um Secretário e o Prefeito Municipal. Todos, sem exceção tinham a missão de convencer por argumentos, o povo sedento de fazer uso da palavra para reprovar a proposta.
A conclusão não foi outra. O evento foi recheado de vaias mesmo antes de o palestrante explicar o processo e, assim continuou ao longo de sua duração. O prefeito municipal ironizou inclusive a “educação” daqueles que vaiavam e o Secretário Sânzio chegou a dizer que aceitava a provocação do público hostil.
Embora tenha se preparado bem, a Administração não desarmou os espíritos, pois, ignorou a presença dos vereadores, do deputado Português que como no passado, continua a ter ampla maioria em Araputanga e, não convidou nem mesmo o Monsenhor Padre Celso para fazer uma oração na abertura do evento. Todos, povo e autoridades que compareceram ficaram banidos como cidadãos de segunda classe.
O clima pegou fogo mesmo quando começaram as perguntas demolidoras, a primeira feita pelo ex-vereador Emerson C. Benvenutti que questionou diretamente o prefeito, do porquê só agora, no final do sétimo ano de mandato a questão do saneamento foi lembrado. E assim foi, uma questão atrás da outra que deixara a mesa de autoridades desnorteadas com os questionamentos.
O “incêndio” espalhou de vez e se revelou em vaias quando o microfone foi tornado disponível para o uso da palavra. O primeiro que clamou que a população estava sendo enganada foi o lendário Zé do Gézo que na última eleição se elegeu vereador e só não ocupa a cadeira porque tinha pendências com a Justiça Eleitoral. Zé do Gézo falou às claras que o povo estava sendo ludibriado e pediu ao prefeito para que não fizesse mais o povo de bobo.
Em seguida, o deputado Português, ex-vereador, ex-prefeito por dois mandatos e agora, deputado estadual reeleito disse que cinco minutos seriam poucos para desautorizar as palavras do palestrante, por que quando Prefeito, Português construiu ETA, poços artesianos, distribuição de água e explicou por que conseguiu isso, por que buscou recursos com parlamentares e, chamou os vereadores para fiscalizar as contas da Prefeitura de sua Administração para saber de onde veio o dinheiro, ironizando a explicação do palestrante que havia demonstrado que somente a partir de 2005 surgiu verba para o saneamento, e, perguntou: será que a verba que consegui era inconstitucional? Português disse que é importante que os vereadores verifiquem a origem do dinheiro, por que caiu na conta da Prefeitura, sim.
O deputado, cidadão de Araputanga, aumentou o tom para relembrar à mesa que conduzia a audiência pública que “Foi prefeito oito anos e, esse DAE deu lucro sim” e, como político experiente, que tem aprovação do povo de Araputanga, enfatizou, que a Educação e o Saneamento, é uma obra prima social, "Isso é do povo". Relatou ainda, aplaudido pela favorável manifestação ensurdecedora vinda da plateia, que passou em Cáceres, falou com o Dr. Massato, com Plínio, vereadores e com outras pessoas, e descobriu que o povo está repudiando a modalidade do DAE em Cáceres.
Por dentro do assunto, Português trouxe a notícia que a cidade de Cuiabá, perdeu R$180 milhões de Reais de transferência do governo federal, por que deu a concessão da Sanecap. E, para marcar sua posição, o deputado Português declarou: “Sou contra sim, senhor Prefeito Vano Batista, por que votei duas vezes no senhor, mas como cidadão araputanguense eu vou para a rua fazer protesto contra essa concessão”
O deputado foi amplamente aplaudido de pé, pelo povo. Esse aplauso de reconhecimento à postura do deputado, que se coloca contra a Concessão do DAE municipal, para os domínios da iniciativa privada, é a forma mais objetiva e clara de que o povo, em uma só voz, também repudia a proposta do Executivo araputanguense.
Depois de português falaram a professora Rosalina e o vereador Paulo Abrão, todos para protestar contra a proposta do Executivo que de uma só vez humilhou povo e vereadores, por que segundo o palestrante, uma Lei federal, diz que o saneamento é responsabilidade do Executivo e, mesmo se houver reprovação popular e reprovação dos vereadores, o prefeito pode seguir em frente e fazer a concessão do DAE.
O presidente da Câmara Municipal de Araputanga, vereador Ilídio da Silva Neto, foi impedido de falar na Audiência, por que, quando se levantou para pedir a palavra, o prefeito encerrou imediatamente o evento, mesmo o dirigente do cerimonial, Tony Marcos, estando avisado de que o presidente do Legislativo queria deixar sua opinião para o povo.
Ao que tudo indica a Sessão da Câmara Municipal de Araputanga, vai “pegar fogo” na noite de segunda-feira, dia 12 de março, porque outros vereadores deixaram o evento reclamando que foram preteridos de fazer uso da fala.